Arquivado em: Falta de Educação | Tags: Linha 2, metrô, perrengue, transportes coletivos
Cheguei à infeliz conclusão de que a Linha 2 do Metrô não é pra fracos.
Não. De jeito nenhum.
Tem que ser forte. Fodão. Mau encarado. Marrento e, claro, muito SEM EDUCAÇÃO.
Só assim pra não se assustar e não ser carregada por aquela horda de gente que entra no vagão antes do povo sair, louco pra sentar, porque afinal, meu bem, a viagem é longa…
É um empurra empurra enlouquecido!
Quem está dentro não consegue sair e quem está fora não consegue entrar…
Por que não esperar as pessoas saírem, não é mesmo? Imagina…
Educação? Ah, pra quê!!!
Ah, mas claro… Além de mal educado, o cara tem que ser eXXXXpeRRRRto…
Porque assim, qual é a jogada do caboclo que vai pegar a Linha 2? Ele desce na estação Estácio, de transferência, e não vai direto pra escada que leva ao metrô da Linha 2…
Nããããooooo…
O esperto (e muitas velhotas espertinhas) sobe como se fosse sair e desce pelo outro lado. Aí ele sai direto na plataforma da Linha 2…
Há! Não é sensacional?
Vou tentar explicar o motivo dessa eXXXpeRRRRteza pra quem não teve ou ainda terá (coitado) essa terrível experiência…
Quando o metrô chega, ele abre primeiro a porta de saída para o povo pegar a transferência pra Linha 1, subindo de volta, pra pegar o metrô sentido Zona Norte ou Zona Sul.
Nisso, os eXXXpeRRRtos empurram quem está saindo para poder entrar no mesmo vagão e já se aboletarem, confortavelmente, enquanto os buchas que vão em direção à Pavuna (coitados) têm que esperar a outra porta abrir.
Aí, meu nêgo, quando abre a outra porta, é um tal de empurra daqui, puxa dali, pisa acolá, que é FODA…
Como eu desço logo na primeira estação da Linha 2, depois de ser esmagada e soltar uns vinte: ‘Caralho! Que gente mais mal educada!!!’, eu me encaminho em direção à porta.
[Ah, sim, claro, porque eu SÓ me posiciono à frente da porta quando vou descer na próxima estação... Que fique claro isso...]
Mas o que acontece na volta, quando sou eu que saio na tal portinha que abre primeiro e que liberta os passageiros desse martírio que é a Linha 2???
Os eXXXXpeRRRRRtos empurram loucamente pra entrar antes de todo mundo sair e, agora há pouco, na minha saga, um velho eXXXXpeRRRto que empurrava pra entrar ficou PUTOOOOOOO com uma menina que tentava sair…
Surreal…
Não me surpreendo com mais nada…
E não sei mais onde essa vida vai me levar.
Tomara que não seja pela Linha 2.
Arquivado em: Falta de Educação
Ando meio sem saco pra atualizar isso daqui.
É. Coisas de VelhaChata mesmo.
Ranzinza. Sem paciência.
Até porque ando cansada de reclamar das mesmas coisas e nada mudar…
Gente mal educada na rua, gente mal educada no metrô, no ônibus… Na vida.
AAARRRGGHHHHH!!!
Quando essa zica passar, eu volto.
Mas não demora não, garanto. =)
Arquivado em: Diversão | Tags: telemarketing, head hunter, carreira, reunião, currículo
Meu celular toca.
- Alô.
- Dona VelhaChata?
- É ela.
- Aqui é da consultoriamkfkjfkj (inaudível) XYZ, posso falar com a senhora?
- Da onde?
- Aqui é da consultoria de recursos humanos XYZ, posso falar com a senhora?
- Sim. - me animando, poderia ser uma entrevista….
- Algum outro jhfjhfjshfjgh (inaudível) entrou em contato com a senhora?
- Hein?
- Algum outro operador da Consultoria XYZ entrou em contato com a senhora?
- Acho que não… Qual o assunto?
E aí ela começa a ler o texto…
- Nós-somos-uma-em-pre-sa-de-recolocação-no-mercado-e-estamos-com-seu-currículo…
- O que tem meu currículo?
- Estamos com ele.
- Nossa… É um pedido de resgate?
- Como?
- Nada. Fala. O que tem meu currículo?
- Nós-achamos-seu-currículo-in-te-res-san-te-e-quero-saber-se-a-senhora-pode-vir-em-uma-reunião-com-meu-gerente-segundafeira
- Para…
- Nós-achamos-seu-currículo-in-te-res-san-te-e-quero-saber-se-a-senhora-pode-vir-em-uma-reunião-com-meu-gerente-segundafeira - ela repetiu a frase.
- Ok. Isso eu já entendi. Vocês têm um emprego pra mim, é isso?
- Não é uma entrevista de emprego. É-uma-reunião-para-dar-direcionamento-à-sua-carreira…
- E como funciona isso? - adoro…
- … É… Só o meu gerente que pode lhe dizer. A senhora poderia vir aqui no Centro segunda feira falar com meu gerente?
- Sobre o quê?
- Sobre direcionamento de sua carreira.
- Eu gostaria de saber como funciona isso antes… - morrendo de vontade de rir
- Só o meu gerente pode dizer. A senhora pode vir na segunda feira?
- Olha - já perdendo a paciência até de sacanear - se vc não me disser, é complicado - hahahah - Vocês são uma empresa de head hunter?
- Como?
- Você sabe o que é head hunter?
- Não senhora.
- Então agenda uma reunião com seu gerente pra ele te explicar o que é, ok?
Ah, faça-me o favor….. Estuda, filha, depois a gente conversa.
Arquivado em: Reclamação, Sem Noção | Tags: celular, gente esquisita, música ruim, metrô, vagão das mulheres
Quinta feira é dia de coral.
Como já contei aqui, é dia de aventura, já que pego o metrô em pleno horário em que toooooodas as diaristas do mundo saem das casas onde trabalham rumo às suas residências.
Isso significa que é IMPOSSÍVEL entrar no vagão das mulheres sem ser esmagada, empurrada, xingada e outras cositas mas…
Encontrei com minha amiga RD, que agora está no coral comigo, e fomos para plataforma tentar fugir das loucas ensandecidas.
- Vamos lá pra frente – ela disse, sabiamente.
Nos posicionamos em frente à marcação de onde a porta se abriria e ficamos esperando o metrô chegar.
Olhamos ao redor e começamos a rir, achando que estávamos em outro planeta, dado o número de pessoas esquisitas (leia-se: feias e mal vestidas) na plataforma naquele momento.
Entramos no vagão e quatro caras, alheios a todos os idosos que precisavam sentar, pareciam ter vindo direto dos ônibus de São Paulo.
Motivo: eles estavam com um celular daqueles tocando músicas (???) horrendas, SEM FONE…
Gente…
Comecei a reclamar alto.
- Ai, não acredito… Ninguém merece….
- VelhaChata, pelamordedeus… Não fala isso alto… Esses caras podem fazer qualquer tipo de coisa com você… – sussurrou RD.
- Ah, eu, hein… Fala sério… Não sou obrigada a ouvir essa música horrenda… Coloca um fone, meu amigo…
RD, desesperada e rindo de nervoso, me pedia pra parar.
- Ah, mas fala sério… Eu sou obrigada???
Meu medo é esse… Será que todos aqueles idiotas que moram em SP e não podem comprar fones de ouvido, coitadinhos, mudaram pro Rio???
Socorro!
Passando com Ela pela rua da minha mãe essa semana me deparo com um pedinte.
- Ei, tia, me dá uma moeda?!
Primeiro que odeio que alguém que não tem nenhum grau de parentesco comigo me chame de tia, ainda mais um marmanjão daqueles…
Como estava conversando com Ela, nem dei bola e continuei andando.
Nisso, ele dispara:
- Pô… Nem me deram atenção…
Ai, desculpa, mas vê se eu posso com mendigo carente…
De carente já basta eu!!!
É dura a vida de uma pessoa boazinha e simpática, não é, meus sete leitores…
O ensaio do coral onde me arrisco a cantar é dentro de uma escola particular da Zona Sul.
Dentro dessa escola, após as aulas, mil atividades extra curriculares (tem hífen? É separado? É junto? Nem sei mais) para os alunos.
Entre elas, balé clássico.
Quase no finzinho do ensaio, uma menininha fofa e filha de uma das coralistas entra na sala ainda com as roupas do balé para esperar a mãe.
Normal. Eu já fiz balé durante 10 anos da minha vida e voltava pra casa com a roupa que usava (e a menina estava exatamente assim): colant rosa, sainha soltinha transpassada e meia calça igualmente rosa.
Porém um detalhe me chamou a atenção: ela ainda calçava as sapatilhas de ponta e andava pra lá e pra cá com elas.
Minha professora de balé, mega rigorosa, dizia que a sapatilha era pra ser usada APENAS dentro da sala de balé e no palco, que têm piso especial, por causa do solado sensível.
A menininha veio perto de mim e eu falei baixinho pra ela:
- Que linda! Já tá na sapatilha de ponta! – e ela começou a me contar um pouco sobre as aulas de balé. Tudo muito sussurrado pra não atrapalhar o ensaio.
Me sentindo íntima dela, não aguentei…
- Sabe, quando eu fazia balé, minha professora dizia que não era bom andar pela rua e por outros lugares, que não a sala de balé, com a sapatilha. Especialmente a de ponta, porque estraga a sola e a ponta – e sorri…
Nisso, com um olhar blasé do alto de seus 7 anos, a menina dispara:
- Ah, não tem problema se estragar. Eu tenho um saco enooooorme cheio de sapatilhas que minha mãe trouxe de Paris…
Tóin.
É. Quando eu fazia balé, realmente não tinha grana pra ter um saco enoooooooooooooooorme de sapatilhas… Custava caro e meu pai não podia comprar toda hora… Tinha duas de meia ponta e duas de ponta. Uma mais xinfrim pros ensaios e uma melhor, Capezio, para as apresentações.
Vai ver por isso eu acatava as ordens da professora pra não estragar as poucas que eu tinha…. rs.
Me senti péssima. Vontade de ir naquela loja de sapatilhas aqui no começo de Ipanema e comprar todas as possíveis, até aquela preta LIIIINNNDA, da Capezio, que eu sempre quis ter…
Porra… Mas nem agora eu posso comprar… Tô mais dura que um côco…
Me fudi.
Hahahahahahahaha
Arquivado em: Falta de Educação, Sem Noção | Tags: ônibus, babaca, cigarro, Corsário Negro, música, metrô, Norteña, perrengue, São Paulo
Depois dessa incursão furada a São Paulo – só valeu por ter ido visitar minhas amigas, sendo que uma delas está prestes a parir e eu e o marido dela enchemos a cara de Norteña na casa deles – fiz uma verdadeira via crucis para voltar para o meu aconchego…
Saí da casa da amiga, fiquei MEIA HORA no ponto de ônibus esperando. Desci na estação do metrô, mais uns 20 minutos até chegar na rodoviária.
Lá chegando me lembrei da porra da lei que não permite fumar em lugar nenhum daquela cidade e tive que ir pra rua saciar minha vontade.
Rua esta suuuuper fofa, linda, paisagem maravilhosa e transeuntes super bem vestidos e finos. Ahã.
Segurando a bolsa e a mala com todo o meu fervor, fumei um cigarrinho congelando ao relento. Um olho no peixe e outro no gato. Óbvio.
Subi de volta e, como ainda tinha tempo, sentei para um capuccino.
Como boa fumante, depois de um café, bateu uma puta vontade de fumar e lá fui eu pra rua bucólica novamente…. Saco, viu…
Desci para a plataforma e o ônibus já estava lá parado, enchendo de passageiros.
Comprei, pela primeira vez, a primeira poltrona, bem na frente do vidro, no segundo andar do ônibus. Ah, sei lá, quis ter essa experiência de viajar vendo o caminho por onde estou andando…
Ao meu lado ninguém.
Mas nas duas poltronas do outro lado do corredor estavam dois paraíbas (com perdão da palavra) que tinham celulares barulhentos. Leia-se SEM FONES DE OUVIDO.
Cada um com seu som, de gosto mais duvidoso que o outro.
E, claro, não basta ouvir um som cafona no celular, tem que ser ALTO…
Incomodada antes do ônibus dar a partida, não me contive:
- Oi, amigo, dá pra colocar o fone no ouvido?
Mostrando o aparelho de MP20mil, cara de mané, ele dispara:
- Não tem fone não….
- Nossa, um aparelho tão moderno desses não tem fone e o meu celularzinho xexelento tem? Caramba…
- Pois é…
- Mas, então, na boa – sorrindo – será que dá pra abaixar o som? É que daqui a pouco começa o filme e aí não vai dar pra ouvir…
- Ah, vai ter filme é? – com sotaque de caipira, por favor.
- Vai sim… – ainda sorrindo.
- Ah, então quando começar o filme eu desligo.
- Ok….
Nisso o motorista veio fazer a contagem e perguntou pra mim, já toda espalhada, lendo a Folha de SP.
- Tem ninguém do seu lado não?
- Graças a Deus não! – sorri.
Foi só falar.
Chega um negão com pinta de jogador de basquete e plaft. Se aboleta do meu lado.
Pelo menos era magro.
O celular dele tocou umas cem vezes durante a viagem e, pelo sotaque, deduzi que ele era sul africano, ou algo parecido.
Mas, educadamente, ele ouvia seu som de fones.
O filme rolando e o tal cara do celular sem fones roncando.
Filminho bom dessa vez. Interessante, deu pra assistir e tal, entre uma olhada e outra na estrada que vinha à frente…
Acaba o filme e o cara acorda.
Murphy, larga do meu pé!!!
E o que ele faz? Além de colocar os pés IMUNDOS no vidro onde tem escrito ENORME: FAVOR NÃO COLOCAR OS PÉS NO VIDRO, liga o celular e coloca música (????) alta.
Não resisti….
- Amigo… Oi… Será que dá pra baixar o volume???
- Mas aí como eu vou ouvir???
- Cola perto do ouvido, meu amigo… Isso incomoda, sabe…
Puto da vida, cheio de má vontade, ele fala:
- Não dá. Tá no mínimo. E se tá incomodando, a senhora que se mude.
- Meu querido, mudar pra onde, rs. Infelizmente só posso sair daqui em umas três horas… Faz esse favor… Abaixa isso…
- Não dá pra abaixar. Só se eu desligar.
Apenas sorri.
- Olha, vou desligar não. Não tá incomodando a mais ninguém.
Nisso, duas meninas que estavam atrás de mim, se manifestam – graças ao bom senhor jesus.
- Ah, meu, tá incomodando sim. Não sou obrigada a ouvir essa música horrível alta….
E mais gente começa a falar…
E eu:
- Meu amigo, imagina se cada um aqui resolve ouvir sua música alta. Eu coloco um rock pesado, a amiga aqui atrás um house, o amigo aqui do lado um hip hop e o outro lá atrás um pagodão? Ia ficar insuportável… Respeite os nossos ouvidos, por favor….
Muito contrariado, ele desligou o som.
- Vem cá, você gosta de rock pesado mesmo? – pergunta o negão do meu lado.
- Hehehe. Gosto.
- E como você sabia que eu gostava de hip hop – com sotaque muito engraçado.
- Ah, foi chute…. Você não é daqui, né?
- Não. Sou do Zimbabwe! – bingo!!!!!
Ok. Fim de papo.
Tentei dar uma dormida. Já estava anoitecendo e o sono batendo.
Ligaram o outro filme.
Um desenho.
Dublado.
“The Black Corsair”… Ou, “O Corsário Negro”, de Emilio Salgari, um italiano…
Gente… Nunca vi, em toda a minha vida, um filme TÃO RUIM…
Diálogos sem sentido. História sem sentido. Som sem sentido. Tudo uó…
O pior nem foi isso. O som tava alto bagaray!!! E não parou por aí… Ao terminar, o filme ficou repetindo. Foram TRÊS vezes até o motorista se dar conta do que estava acontecendo…
As pessoas no ônibus já riam, repetiam as falas…
Acaba o filme quase chegando no Rio e o cabra faz o quê? Liga a porra do celular com música alta.
À essa altura eu tava cagando baldes. Foda-se.
Tô chegando em casa. Não vou morrer por causa disso.
Mas neguinho não perdoou e começou a malhar o cara, que, puto, aumentou o volume.
Até que uma menina levantou e começou a pagar geral pro cara.
- Meu camarada, você já tá com a porra do pé no vidro, abaixa essa merda ou eu peço pro motorista te largar aqui, no meio da Avenida Brasil!!!!
Meio sem saber o que estava acontecendo, arregalado, ele acatou a ordem da moça.
E a viagem seguiu sem maiores problemas até a rodoviária Novo Rio.
A minha via crucis? Ainda não tinha acabado.
Ainda peguei mais um ônibus até chegar em casa…
É duro ser pobre, putaquepariu…..
Mas isso vai acabar.
Ahhh, vai!
Aí tá. Depois de desembarcar na rodoviária de SP, uma lista de instruções me esperava no bolso do casaco…
“Pegar o metrô Linha X na rodoviária. Descer na estação Y. Andar um pouquinho até um terminal de ônibus. Pegar o ônibus XYZ. Ficar ligada quando passar o Hotel Tal. Pronto. Descer.”…
(já falei desse ônibus certa vez, neste post aqui)
Isto feito, cheguei na casa da minha amiga onde iria me hospedar.
Tudo isso para uma entrevista de emprego em uma agência de Comunicação.
Informação importante: A dona da agência sabia que eu era do Rio e que iria para SP exclusivamente para isso….
Fui pra tal entrevista de táxi – era relativamente perto. Longe pra ir a pé, enrolado pra ir de ônibus – e nem gastei muito pra padrões paulistas, que fique claro.
Cheguei um pouco cedo e vi que tinha uma mocinha também esperando do lado de fora do prédio. Toda de vermelho. Do casaco ao chapeuzinho, passando pelo guarda-chuva. Achei digno.
Me afastei pra fumar, afinal, não se fuma mais em lugar nenhum naquela cidade que tem um ar suuuuuuper limpo – não entendo. Porque não se diminui o número de carros, ônibus e tal para acabar com a poluição? Cadê as ciclovias? O povo indo trabalhar de bicicleta… Eu, hein…
Terminado o cigarro, entrei e falei pro porteiro onde eu ia:
- Ah, moça, aquela outra menina ali fora também está esperando…
- Hum. Então vou ali ficar com a minha ‘coleguinha’…
Papo vai, papo vem, descobri que ela também era carioca, mas morava na Região Metropolitana de SP, além disso, é filha do ex marido de uma amiga minha. O mundo é uma alcaparra. Não me canso de repetir…
Uns 20 minutos depois, chamam a gente. Uma galera já esperava lá dentro da portaria pra ir pro mesmo destino… (??)
- Será que vai ter uma dinâmica de grupo? – indaga um.
- Não sei. Eu vim aqui ontem e foi só papo mesmo… – responde uma jovem senhora.
Entramos na agência e os sapatos faziam poc poc no piso de metal.
Todos olharam para o grupo com aquela cara de ‘lá vem a excursão da Vovó Estela’…
Sentamos em uns pufes mega desconfortáveis e fiquei imaginando como eu levantaria dali… Só com o Carvalhão…
Procurei relaxar e sorrir. Era a única coisa que podia fazer…
A mocinha chega com um bloquinho e começa a pedir que cada um se apresente e fale um pouco da carreira.
- Ah, eu sou fulana, tenho 24 anos e já fiz isso e isso.
- Eu sou fulana. Tenho 28 anos e fiz isso, isso e isso.
- Eu sou VelhaChata. Tenho 38 anos e já fiz isso, isso, isso, aquilo, aquilo outro e bla bla bla…..
Constrangedor.
Pra mim, claro.
Uma velha cheia de experiência ali naquele meio de jovens recém-formados….
- E vc mora onde aqui em SP?
- Não moro. Mas posso vir a morar caso consiga esta vaga.
- Não mora?
- Não. E quando eu mandei currículo, falei isso. Que teria disponibilidade para vir pra cá para entrevista e para morar quando fosse necessário.
- Hum… – e ela fez cara de nojo.
Eu apenas sorri, lamentando cada segundo que estive naquele lugar…
Todo mundo foi inquirido e ela dispara:
- Ok, geiiiinnnte… Vocês podem ir agora….
- Ahn? – todos, quase juntos…
- É. É um proceeeeeesso (com sotaque paulistano anasalado, por favor)… Eu faço uma pré triaaaaaagem e depois chamo vocêêêsss…
- Puxa, mas eu vim do Rio só pra isso… Não tem como eu conversar com quem tem que conversar antes?
- Infelizmeeeeiiinnnte nããão….
Com o sangue fervendo nas veias, fiz força pra levantar daquele pufe infernal, peguei minhas coisas e saí andando…
A ‘coleguinha de vermelho’ veio atrás. Ela e todos os outros. Exceto dois, que já tinham ido lá e ficaram para a outra parte da entrevista…
Indignadas, eu e ‘coleguinha de vermelho ‘resolvemos sair andando pelas ruas geladas de São Paulo à procura de um bar, falando mal de todas aquelas pessoas escrotas.
Paramos em um Fran’s Café e enchemos a cara… de capuccino.
Eu mereço.
Juro que mereço….
(continua…)
Arquivado em: Cara de Pau, Indagação | Tags: Cremerj, plano de saúde, remédio, tarja preta
Por causa de um problema que acredito ter, procurei um médico para saber se é isso mesmo.
Afinal, mesmo com todos os sintomas descritos em um site na internet, nem tudo que se diz ou se pesquisa na internet pode ser levado a sério por alguém que não entende nada disso e, principalmente, não é médico… Ou seja, EU.
Marquei a tal consulta olhando a lista de médicos no livrinho do plano de saúde.
- Hum… Perto de casa. Copacabana… O cara tem outra clínica na Barra. Pode ser bom.
Liguei pra lá.
- Só tem horário no meio de setembro…
- Nossa…
- É uma emergência?
- Não… Uma consulta mesmo.
- Posso marcar então?
- Tá. Pode.
Não satisfeita, olhei outro médico e achei que poderia ser bom ouvir duas opiniões distintas.
- Hum…. Ipanema. Também perto de casa. Prédio “famoso”… Vou lá ver qual é.
Marquei a consulta pra semana seguinte.
No dia e hora marcados fui até lá e descobri que o cabra tinha mudado de sala. Mas apenas alguns andares abaixo, no mesmo prédio.
Desci e toquei a “pamcainha”.
Abre um jovem senhor. Careca. Todo plastificado. Calça social e camisa de manga curta, de botões, verde.
- Aqui é o consultório do Dr. Fulano?
Sem dizer nada, apenas balançando positivamente a cabeça, o jovem senhor careca de verde abriu a porta para eu entrar.
Lá dentro um sofazinho xexelento e uma mesa. Atrás dela uma recepcionista-periguete comendo um saco de batatas fritas.
Mais que rapidamente ela escondeu o saco embaixo da mesa, limpou as mãos e a boca e disse:
- Oi, pois não…
- Oi – sorri – eu sou a VelhaChata. Marquei consulta com o Dr. Fulano às 17h.
Ela olha a agenda.
- VelhaChata??? Ué… Vc não ligou desmarcando?
- Eu??? Eu não!
- Hum… Posso ter me confundido… Senta aí.
Obedeci à ordem.
- Você pode conseguir (sic) a carteirinha?
Claro que posso conseguir, minha querida…. Basta abrir a carteira e pegar…
Gente…
Entreguei a carteirinha e ela começou a preencher a fichinha.
Durante TODO esse tempo, o tal jovem senhor careca de verde estava em pé, embaixo da TV (presa naqueles suportes na parede), me olhando…
Pronta a fichinha, ela estica o braço e entrega o papel para o jovem senhor careca de verde.
- Vamos lá?
Levantei e entrei na salinha anexa.
Sentei na cadeirinha indicada por ele e ele perguntou:
- Então, VelhaChata, o que te traz aqui?
Comecei a falar e no meio da minha primeira frase ele já anota uma palavra na ficha e me interrompe…
- Seu sono é muito agitado?
- Não. Eu sou super tranquila pra dormir.
- Ah… Mesmo assim, olha, vou te passar um remedinho – e pegou o receituário branco de remédios controlados e começou a preencher – e em duas semanas tá tudo bem…
- Mas… Como assim? Não tem nenhum exame pra detectar isso?
- Não! Não existe exame pra isso!!! – e continua a preencher a receita…
- Gente… Que estranho… Eu mal contei pro senhor o que eu tenho…
- Mas não tem exame não…. Não existe. Toma esse remédio e tá tudo bem.
E me estendeu a receita na mão, já se levantando da cadeira…
- Mas… Pera… É só isso???
- É. Em duas semanas você tá ótima.
- …
E foi me encamihando pra porta de saída…
Boquiaberta, fui andando por Ipanema…
Boquiaberta, cheguei em casa.
Mais boquiaberta ainda, li a bula do remédio na internet…
Esse cara merece o quê?
a) uma denúncia no Cremerj?
b) uma carta, contando o fato, para o Globo?
c) um email para o plano de saúde?
d) todas as alternativas anteriores
Aguardo comentários dos meus sete leitores…