Velha e Chata


“Vamos brincar de índio….”

Daí que a família d’Ela veio pro Rio.

Gente querida, amada, idolatrada, salve, salve.

Daí que a gente aproveita essas vindas do povo de fora pra fazer todos aqueles programas turísticos que a gente nunca faz.

Dia lindo hoje, resolvemos ir ao Cristo.

- Amanhã a gente vai ao Pão de Açúcar! =)

Chegando lá, a notícia, berrada por um funcionário:

- SÓ TEM INGRESSO PRAS CINCO HOOOOOORASSSS!!!

- Ah, beleza, vamos comprar. A gente dá um pulo no trabalho, resolve o que tem pra resolver e volta no horário -, disse Ela.

Dito e feito. Afinal, eram uma e meia da tarde ainda.

Voltamos no horário marcado e o tempo começou a fechar. Entramos na fila para subir com o trenzinho fofo do Corcovado e começa a chover.

Dentro do trenzinho, uma Torre de Babel de sotaques e de gente. Mas um grupinho chamou muito à atenção com aquele sotaque – me perdoem, amigos paulistas – de “é nóis, manoooooo” e uma das crianças do grupo se chamava Hilary….

Tá…

Chegando lá em cima, uma chuva forte. Pingos grossos. Elevador parado. Escadas rolantes sem funcionar.

Eu, gorda, sedentária e fumante, quase morri subindo aqueles mil, oitocentos e quatorze degraus da escadaria da Penha, ops, do Corcovado.

Paradas estratégicas para pegar o melhor ângulo da Lagoa, das praias de Ipanema e Leblon e sobe, sobe…

E a chuva apertando.

Chegamos lá em cima completamente encharcadas. A eletricidade estática deixando nossos cabelos em pé renderam gargalhadas homéricas! Até porque não era só a gente que estava de cabelo em pé. Hahahahahahha

Fotografamos, tentando desviar dos braços abertos das pessoas, que, logicamente têm a mesma ideia – e nós também, CLARO! – morremos de rir, e toma chuva no lombo.

Deu. Resolvemos descer.

Uma fila gigantesca – sem NENHUMA proteção, ou seja, todo mundo na chuva, na rua e na fazenda.

Pedi um chiclete pra afilhada d’Ela e na primeira mordida ploc! Um curativo do canal que eu fiz no fim do ano passado saiu inteirinho…

Sen sa cio nal.

Com uma cratera dentro da boca, conseguimos ir pra parte coberta para aguardar o trenzinho e, olhando pro lado, os mesmos pauliiiiistaaaaaaaaas-meeeeeu, da ida.

E eles, loooooooogicamente, foram se enfiando na frente da gente e empurrando.

Como a gente já tava encharcada, foda-se. Deixa passar.

Escolhemos o trenzinho onde esse povo uó NÃO entrou e sentamos.

Daqui a pouco, uma família muito escandalosa, faz OOHHHHHH, quando, no meio da floresta, surge aquela vista liiiiinda da Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil.

Aí, Ela me olha e fala, sussurrando:

- É o Mario Gomes… E a família dele.

Olho, discretamente pra trás, e vejo. Maaaaagro, óculos escuros – pra ninguém reconhecer, rs – e dando a maior força pros OOOOOHHHHH’s do povo.

E aí eu ouço…

- bla bla bla… É… Aquele casal de gays lá….

Sensacional, Mr. Mario Cenoura Gomes falando de gays de forma debochada.

Era o que faltava pra encerrar nosso programa de índio.

Amanhã vamos ao Pão de Açúcar. Pô, São Pedro, dá uma força aí…



Salve Salvadô
03/11/2011, 11:45 pm
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Daí que eu tive que viajar pra Salvador a trabalho.

- Pô, mas que beleza! Salvador é tudo de bom!!!

Isso pra quem vai passear, né, meu bem. Pra quem vai trabalhar pra caceta, não é não…

Fui lá pra desmontar uma exposição que montei ano passado.

E foi o mesmo esquema da outra vez: hotel – montagem / montagem – hotel.

Com a diferença que dessa vez era: hotel – desmontagem / desmontagem – hotel.

Pelo menos eu consegui comer um – sim, UM – acarajé logo que cheguei. E o melhor acarajé de Salvador, o da Cira.

Fim do lazer, começou a maratona de trabalho.

Maratona pra mim, uma mulher carioca, hiperativa e toda agitada… (reduntante TODA a frase)

É impressionaaaaaaaaaaaaaaaaaante a lerdeza do baiano pra qualquer coisa. Especialmente no trânsito intenso – novidade em Salvador.

Pra quem estava acostumado a andar de carro, encontrar o amigo, parar o carro NO MEIO DA RUA e conversar com o amigo que está passando na calçada, agora tá mais fácil ainda, rs.

Graças ao preço barato dos automóveis, zero IPI e tal, TODO mundo tem carro no Brasil inteiro. Não é diferente em Salvador. (menos eu, rs, que não tenho carro, rsrsrs) E aí, muito carro, pouca estrutura, trânsito na certa.

E isso, acho, só facilita pra eles, rs, mas pra quem não está acostumado com isso…

Os caras marcam com você às 8h. Saem de casa às 10 pras 8. Chegam quase às 9h…

- Ahhhh… A gente tá acostumado com esse trânsito não………

Conversando com uma amiga querida e baiana, que mora lá e que me levou pra sair no sábado pra tomar UMA cerveja – já que eu tinha que trabalhar no domingo às 7h – ela disse:

- Ih, Dri, esse trânsito é coisa de cinco anos pra cá….

Porra…. Em cinco anos não deu pra acostumar com o trânsito????

- Deeeeu… nããããoooo…

Aliás, essa coisa deles falarem o afirmativo antes pra dizer a negativa depois é uma praxe irritante…

- Tem sorvete de manga?

- Tem….. Não…..

- Tem sorvete de côco?

- Tem…. Nããão….

- Tem sorvete de abacaxi?

- Tem… Nããããão…

- E esses sabores todos estão aí na plaquinha por quê?

- Ahhhh, véi… Pra mostrá nossa variedaaaade…

 

Então tá….

Farol da Barra - visto de dentro do carro...



Um alento, ma non troppo…
30/07/2009, 11:16 am
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Além do aquecedor que deu pau – vide post abaixo – meu varal resolveu arrebentar na semana passada.

Eu, na qualidade de dona de casa em que me encontro, cheia de roupa pra lavar, e o varal arrebentado, estava desesperada…

Isso porque ele arrebentou quando eu puxei ele VAZIO para subir.
A porra da roldana, mais velha que minha vó, emperrou e pá! A corda arrebentou.

O varal só não caiu na minha cabeça porque caiu no meu braço, que usei para me proteger.

Pois bem… Comprei a porra do kit varal inteiro. Com corda nova e roldanas novas também. E lá se foram 20 dinheiros.

Cheguei aqui na portaria do prédio e perguntei, simpática, quem poderia fazer a gentileza de trocar meu varal.

- Ah, o Tião! – N.da R.: Tião é o faz tudo do prédio. Contratado para isso exclusivamente.

- Ok! Pede pro Tião falar comigo?

Um tempo depois, Tião interfona pra mim.

- Oi, Dona VelhaChata, tudo bem? É o Tião.

- Oi, Tião! Tudo bem? É o seguinte… bla bla bla….

- Claro. Posso fazer pra senhora. Mas só na hora do meu almoço.

- Ih, Tião, mas eu tô na rua à essa hora…

- Ah, então tem que falar com o Sr. Subsíndico……..

Putz, ele é um MALA. Antipático. Daqueles que não ajuda em nada. Se puder complicar, não facilita.

- Ih, Tião… Então deixa… Eu vou tentar outra pessoa…

- Não! Eu faço pra senhora. Eu dou uma fugidinha…

- E não vai dar problema?

- Não… Vai não…

- Ok.

Saí. Voltei. E chamei o Tião.

Ele subiu. Trocou tudo o que tinha que trocar. Ficou ótimo.

- E aí, Tião? Quanto lhe devo?

- Nada não, senhora. Não cobro pra fazer isso não… Faz parte do meu serviço…

- Imagina, Tião, por favor…

- Não, senhora. É só o Sr. Subsíndico não ficar sabendo. Ele não gosta de que eu faça serviços nos apartamentos não…

- Tudo bem… Fica entre nós.

Ele foi embora e tal e eu desci pra comprar cigarro.
Chego lá embaixo, tá o Sr. Subsíndico conversando com o porteiro:

- Cadê o Tião? Ele foi fazer alguma coisa em algum apartamento?

Passei batido, antes que o porteiro apontasse pra mim e dissesse:

- Foi sim. Na casa dela, ó!

Eu, hein… Cara mais mala….



O poder dos inadimplentes
07/07/2009, 5:51 pm
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Surreal. É a única palavra que me vem à cabeça depois de voltar do banco onde tentei renegociar uma futura dívida.

Explico: estou sem trabalho há um tempo. É bem verdade que a vida de uma pessoa sem emprego em plena crise está FODA…
E é bem verdade também que tem pintado um trabalhinho aqui, outro ali, mas que não pagam as minhas contas.
Tá. Pagar até pagam, mas algumas terão que ficar pendentes.

Por isso, moça honesta que sou, fui até a minha agência conversar com meu gerente.

Chegando lá descobri que qualquer gerente pode ser o meu.

- Olá, boa tarde, em que posso ajudá-la?

- Oi, é o seguinte, eu sou jornalista e, atualmente, sou free lancer. Com isso e por causa da crise, não estou tendo trabalho fixo e a grana que está entrando não dá pra pagar o que eu tenho pra pagar. Gostaria de ver qual a melhor maneira de negociar as parcelas do empréstimo que eu fiz. Tipo, jogar pra frente ou diminuir o valor das parcelas. E aí, se eu tiver a grana, eu posso quitar o empréstimo?

- Pode sim, com desconto até, mas espera, deixa eu ver a sua situação aqui…

Digita, digita, procura, procura…

- Olha, eu não posso fazer nada com a sua conta.

- Não?

- A sua conta é muito boa. Tem sempre movimentação e você paga tudo em dia. Não atrasou nenhuma parcela de nada até hoje….

- E…

- E aí que não posso mexer nisso. Não posso renegociar uma coisa que ainda não é dívida.

- Mas será, se você não me ajudar. Minha conta vai virar e eu não quero ficar com nome sujo novamente. Já passei por isso e não é nada legal…

- Infelizmente, não posso fazer nada. É preciso esperar você não poder pagar mesmo, mas, como sua conta é boa, o banco deve debitar o valor da parcela e jogar no seu negativo…

- Mas peraí, como ele vai debitar se eu não terei fundos?

- Ele vai debitar porque sua conta é boa. Vc não poderá mexer nela, ou seja, sacar, fazer débitos, mas ele debitará a parcela do seu empréstimo…

- Mas, dona Gerente… O lance então é ser inadimplente?

- Shhh, fala baixo, hehehehe…

- Olha, sério, eu não estou achando engraçado… Eu vim aqui pra tentar NÃO virar minha conta e a senhora tá me aconselhando a DEIXAR VIRAR?

- Só assim eu posso tentar fazer alguma coisa mesmo…

- Gente… Tô boba…

- Pois é…

- Obrigada…

- Olha, deixa a parcela bater, aí vem aqui na segunda e a gente conversa.

- Tá…

Saí da agência boquiaberta.
Como assim????

Certa vez, quando eu trabalhava em um jornal de grande circulação, eu fiz uma matéria sobre a vantagem de ser inadimplente…

Pensa bem, caro leitor…

Quando o cara que mora no seu prédio não paga o condomínio… Quem é que paga?
Você e os condôminos que pagam em dia.
A parte dele é dividida e distribuída para os otários que pagam em dia.
Ok que ele será expulso do prédio mais cedo ou mais tarde, mas e se conseguir pagar? O dinheiro dele será devolvido a você???

Quando o cara não paga o consórcio. Quem paga?
Você e os pobres coitados que pagam em dia.
Igual ao condomínio, a parte do cara é dividida entre outros consorciados.

Surreal… É a única palavra que me vem à cabeça…




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